Crédito a Inteligência do telespectador brasileiro

As emissoras de TV são obrigadas a transmitir até 10 minutos diários das campanhas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A linguagem inovadora dos anúncios criados pela W/Brasil tem ao menos uma vantagem sobre os programas tradicionais do TSE: no mínimo, a curiosidade do público é despertada.

O Tribunal ainda não fez pesquisas com a opinião pública e a Fundação Padre Anchieta não se pronuncia oficialmente sobre a campanha, que já virou tema de bar.
– A Justiça Eleitoral está se superando nesses comerciais de conscientização. Só espero que dêem resultado – diz o escriturário carioca Kristoffer Araújo, 28 anos, que admite nunca ter acompanhado qualquer campanha anterior do órgão.

Em nome do TSE, Silvana de Freitas resume:
– Sabemos que entre os jovens de 16 e 17 anos, para quem o voto é facultativo, o comparecimento às urnas tem diminuído. Então é mais uma campanha preventiva. Preocupa a possibilidade de desânimo. Mesmo assim, a campanha não é especificamente direcionada aos jovens.

Washington Olivetto, presidente da agência que criou os anúncios, relata o testemunho de um fã ilustre das vinhetas do Vota Brasil:
– Encontrei com o Lulu Santos em Nova York e ele logo me perguntou: “Foi você que fez aquele comercial do sapateado? É bom demais, eu fico imitando em casa!”

O caráter elíptico dos filmes, que usam metáforas para falar dos problemas sociais acarretados pelo mau uso do voto, é uma característica considerada positiva por observadores do mercado de mídia. O paulista Pedro Utzeri, publicitário premiado no Festival de Cannes, ressalta a ousadia do projeto:
– Foi corajoso da parte do TSE aprovar uma campanha tão diferente quanto essa. Normalmente, propaganda política sempre é aquela mesmice; agora eles conseguiram ousar.
Na opinião de Utzeri, os anúncios não são herméticos.

– Não acredito que a campanha seja sofisticada demais. São analogias simples – analisa o publicitário. – O público que é alfabetizado pela televisão compreende a linguagem da propaganda. Mas claro que em publicidade não existe compreensão universal.

Essa é justamente a preocupação do cientista político Candido Gribowski, coordenador executivo do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).
– Os anúncios talvez sejam sutis e simbólicos para serem compreendidos pelo grande público. A mensagem final geralmente não tem nada a ver com as cenas que aparecem. No final, não diverte nem conscientiza – analisa Gribowski, que, por fim, relativiza – A campanha é louvável, mas não dá ênfase aos aspectos mais positivos, como o fato de votar ser um direito, uma conquista, e que votando podemos mudar as coisas.

O sociólogo e professor de filosofia Adriano Coutinho, autor do livro Democracia e voto nulo no Brasil, diz que a série de filmes da W/Brasil dá um crédito à inteligência do telespectador.
– É possível aumentar a conscientização do povo por meio de anúncios como este – avalia Adriano Coutinho. – A estrutura bem menos conservadora dos filmes novos, em comparação com a propaganda eleitoral tradicional, chama a atenção e obriga a pessoa a refletir, sair da passividade.
05 de julho de 2008 : 01h00m

Fonte: Jornal do Brasil

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