Globo grava no Mato Grosso as primeiras cenas de “Paraíso”

Durante quatro semanas, equipe e elenco de ‘Paraíso’, próxima novela das seis da Rede Globo, viajaram por Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Nobres e Poconé, a porta de entrada do Pantanal, registrando as paisagens da região do Mato Grosso e realizando as primeiras cenas da trama. A novela, um remake da trama de mesmo nome exibida em 1982, tem estreia prevista para março.

Eriberto Leão, Alexandre Nero e o cantor Daniel gravaram suas primeiras cenas como os peões José Eleutério, Terêncio e Zé Camilo, respectivamente, em meio a 1,2 mil cabeças de gado, reproduzindo as viagens em comitiva, que transportam o gado pela região pantaneira. “Eu já conhecia o Mato Grosso, mas gravamos em lugares de difícil acesso. Uma das gravações, por exemplo, foi em uma fazenda no meio da Chapada dos Guimarães, que dificilmente visitaria sozinho. A produção achou um local realmente mágico. As imagens serão arrebatadoras, tenho certeza. É uma parte do Brasil que poucas pessoas conhecem”, definiu o ator Eriberto Leão, protagonista da novela.

Eriberto interpreta José Eleutério, conhecido como o “filho do diabo”, um peão que gosta de levar a vida pelas estradas tocando comitivas. Por já dominar a equitação, o ator não precisou de aulas para montar seu cavalo tordilho, diferentemente do cantor Daniel, que interpreta Zé Camilo, um músico que faz parte da comitiva e nunca havia montado um típico cavalo pantaneiro. O personagem é um solteiro convicto, mas encanta as moças com o som de sua viola. “Não tive dificuldade, já que me identifico com o universo sertanejo. Achei lindos os lugares escolhidos para as cenas. Tenho grande admiração pelo trabalho do Benedito e me senti honrado com o convite para fazer parte do elenco”, disse Daniel. Alexandre Nero interpreta o peão Terêncio, que nasceu e foi criado em comitivas. Muito amigo de José Eleutério, na história, é apaixonado por Rosinha (Vanessa Giácomo), irmã de criação do “filho do diabo”.

Ao todo, 80 profissionais viajaram do Rio de Janeiro para o Centro-Oeste e mais de sete toneladas de equipamento de engenharia, produção de arte e cenografia foram transportadas para registrar fauna e flora do estado. Além disso, outras 40 pessoas foram contratadas no local para completar a equipe. Para gravar as cenas de ação, como as cavalgadas, as câmeras seguiam em carros preparados para captar a movimentação. “Gravamos em lugares incríveis, a fotografia da novela está linda, temos uma luz muito bonita nas cenas”, adianta o diretor geral da novela, Rogério Gomes, o Papinha. “A Chapada dos Guimarães tem um clima de montanha e pedras, que define bem o estado; a região do Pantanal traz o clima das comitivas, pois os peões levam o gado de um lugar para o outro por causa do ciclo das águas; e Poconé retrata mais o universo dos rodeios”, completa o diretor Felipe Binder. A Lagoa das Araras, em Nobres, serviu de pano de fundo para a cena em que José Eleutério, o Zeca, conta para o amigo a história do diabinho na garrafa, um “causo” que desperta a curiosidade de Terêncio e dos demais peões.

A equipe de figurino viajou com cerca de 10 malas, o restante foi comprado no Mato Grosso. Também foram adquiridos acessórios especiais como os chapéus com formato típico da região, faixas pantaneiras usadas na cintura dos peões e a “guaiaca”, um cinto confeccionado pelo próprio peão que deve ser herdado de pai para filho e foi usada no figurino de Zé Camilo. O chapéu de lona usado por Terêncio foi uma das peças que a figurinista Natalia Duran achou na região para dar uma “imagem de cowboy brasileiro” ao personagem. “Troquei muitas coisas, itens novos por usados. Minha intenção é estar muito próxima da realidade da comitiva. Essa troca enriqueceu o figurino”, completa.

A produção de arte realizou uma grande pesquisa sobre locações, costumes e animais que compõem a cena. Também identificou características próprias dos objetos usados na comitiva, como o fogão usado pelo “cuca”, o cozinheiro das viagens; o “embornal”, que carrega os apetrechos de uso no campo; a “bruaca”, mala de couro que carrega os objetos dos peões e da cozinha; e também as “traias”, que adornam o animal para a montaria. “Compramos as traias no Mato Grosso: a do peão de comitiva, que é composta entre outros itens do pelego, da cabeçada e do arreio; e a traia do peão de rodeio, que traz, entre outros, a luva e corda americana”, conta o produtor de arte André Soeiro. A equipe de produção de arte viajou com 30 caixas repletas de objetos de cena.

Para os diretores da novela e para o elenco, a maior dificuldade foi gravar com o gado. “Não é à toa que são poucos os peões que seguem esta vida de comitivas. É uma tarefa difícil. Gravamos com mais de mil cabeças e quando a boiada dava um estouro era complicado controlar”, disse Felipe Binder. Além disso, enfrentaram um calor de 45º graus em Cuiabá e na Chapada dos Guimarães só era possível chegar às locações com picapes.

A trama

‘Paraíso’ conta a história de amor entre o “filho do diabo”, Zé Eleutério (Eriberto Leão), e a “santa”, Maria Rita (Nathália Dill). A jovem foi criada pela mãe Mariana (Cássia Kiss) como santa e enfrentou desde cedo o assédio do povo que procurava a menina em busca de milagres. Prevendo que aquilo poderia acabar em uma grande desgraça, seu pai Antero (Mauro Mendonça) mudou de cidade, sem presumir que a história o acompanharia por toda a sua trajetória. A vida de José Eleutério (Eriberto Leão) também é cercada por um mito: carrega a fama de “filho do diabo” por culpa do pai, o fazendeiro Eleutério (Reginaldo Faria), um grande contador de histórias conhecido por guardar um diabinho em uma garrafa.

A imaginação do povo atribui ao rapaz esta alcunha porque sua mãe morreu no parto depois que o “coisa ruim” chegou à casa da família. O menino cresceu e se revelou um aventureiro que gosta de desafiar a vida e a morte. Os jovens acabaram se encontrando em uma curva nos arredores da cidade de Paraíso e com uma troca de olhares entrelaçaram suas vidas. “Armadilha do destino? Talvez esta fosse a melhor descrição para o encontro inesperado que deixou marcas no coração do filho do demo e da doce Santinha. Um olhar. Um sorriso. Um beijo roubado. É o quanto basta para alguém se apaixonar”, escreve Benedito Ruy Barbosa, autor da história, que já foi ao ar em 1982 e está sendo adaptada este ano por suas filhas Edmara e Edilene.

Benedito Ruy Barbosa investe na temática rural brasileira retratando a vida nas fazendas, a peonada que está na lida, as viagens de comitivas e a moda de viola. O texto traz enfoques políticos, aborda a questão agrária, alerta sobre os desmatamentos e mostra a chegada do progresso à pequena e pacata Paraíso, uma cidade do interior. As histórias são entremeadas pelos romances, pelas quermesses da igreja, pelas fofocas das moças da cidade e pelos “causos” que ganham ânimo no balcão do bar. “Lavei a alma escrevendo ‘Paraíso’ e espero que tenha o mesmo sucesso da primeira versão”, diz Benedito. “Estamos fazendo uma adaptação, mas com um compromisso com a obra original. Modernizamos algumas questões, mas dentro do contexto da história”, explica Edmara Barbosa.

No elenco de ‘Paraíso’ estão ainda Carlos Vereza, Guilherme Berenguer, Fernanda Paes Leme, Kadu Moliterno, Cristiana Oliveira, Walderez de Barros, Bia Seidl, Luli Muller, Soraya Ravenle, Cris Vianna, Guilherme Winter, Genézio de Barros, Leopoldo Pacheco, José Augusto Branco, João Sabia, Paula Barbosa, Juliana Boller, Caroline Abras, Lucy Ramos, Mariliz Rodrigues, Aisha Jambo, Lidi Lisboa, Alexandre Rodrigues, Lucci Ferreira, Cosme dos Santos, Jackson Costa, entre outros

Alguma semelhança com a novela pantanal?comente!

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